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STOP (hammer time!) MOTION

quando era menor, adorava uma animação em massinha que passava na cultura. não lembro o nome, nem da história, mas lembro que adorava simplesmente por ser feita DE MASSINHA. cara, é uma ideia muito boa, os caras montavam os personagens do mesmo jeito que eu (TENTAVA) montar os bonecos com o que eu tinha em casa (nunca fui bem sucedido, não nasci pra essas coisas).

fui crescendo e descobri mais sobre o assunto. o tipo de animação usada por aquele programa é chamada de STOP MOTION, que consiste basicamente em CAPTURAR CADA MOVIMENTO dos personagens e juntar depois. exemplos de stop motion pelo mundo são muitos: tem o fuga das galinhas, feito com massinha, ou o team america, feito com bonecos. isso, claro, pegando longa-metragens, que levam anos para ficar prontos.

recentemente visitei o anima mundi, tradicional evento de animação que acontece em julho em sp e no rio de janeiro. depois de ver uns curtas, encontrei um WORKSHOP DE MASSINHA, que permitia criar uma pequena cena em stop motion.

e lá fui eu. junto com meus grandes amigos julia e rubens, além da colaboração de dois aleatorios (um era o davi, de 8 anos, o outro o luis, de 7), montamos os personagens para criar nossa animação. a ideia era simples: mario surgia, batia na caixa com um ponto de interrogação, comia uma cogumelo pra ficar mais forte e vencia os inimigos.

fomos montar os personagens. um longo trabalho. um dos garotos parecia não conhecer bem o mario (MALDITA JUVENTUDE PLAYSTATION. TODAS AS CRIANÇAS DEVIAM COMEÇAR A VIDA COM UM SUPER NINTENDO), então fez o vilão da história, o bowser, sem parecer nem um pouco com o do jogo. ok, não podíamos reclamar e tinhamos que colocar a criação dele. o outro dizia conhecer bem a série e montou um koopa-troopa (a tartaruguinha) perfeito (sério, ele me humilhou nas HABILIDADES COM MASSINHA, mesmo tendo 14 anos a menos de experiência).

a minha parte foi criar o bloquinho com o “?” e um cano, de onde sairia o mario, mas que foi cortado porque tinha que ser um objeto por pessoa (MALDITAS REGRAS, devíamos ter ANARQUIZADO tudo, queimado colchões e o que fosse preciso pra colocar o cano na história). rubens fez o cogumelo e julia, o mario (os dois ficaram excelentes, tirando a cabeça do mario asuihsd).

com tudo pronto, fomos “filmar” a cena. a mulher que estava auxiliando o pessoal na filmagem falou o nome do plano que a gente usou, mas eu, obviamente, esqueci. basicamente, não importa em que lugar você colocava o personagem, todos pareciam estar no mesmo plano.

enfim, depois de muito trabalho, vimos o resultado final. e porra, tinha alguns poucos segundos. demoramos mais de uma hora pra produzir tudo, e, no final, conseguimos poucos segundos. e foi cansativo pra caralho.

agora eu entendo porque os produtores de team america falaram que nunca mais vão fazer nada em stop motion. o filme deles tem bem mais do que os nossos dez segundos, além de CENÁRIOS, MUITO MAIS PERSONAGENS E MOVIMENTAÇÃO. é um trabalho extremamente cansativo, por mais que o resultado final seja bom (o nosso vídeo, que você pode ver AQUI, ficou MUITO FODA, MUITO FODA MESMO, fiquei orgulhoso pra caralho, mas porra, DEU MUITO TRABALHO).

acabou

…e enfim acabou o semestre. foram milhões de trabalhos, uma semana de provas (quase todas ridículas e que não valiam quase nada na média), e, no meio de tudo isso, a faculdade tornou-se inútil. é claro que eu vou continuar, e não vi ninguém da minha sala falando em parar até agora. a gente já começou, já criou um pensamento de que é importante fazer essa porra então vamos até o fim.

até porque seria um tanto estúpido abandonar a faculdade depois de tudo o que passei nesses seis últimos meses. pra ter uma ideia, tive uns sete trabalhos pra entregar em um período de três semanas. o momento que o último foi entregue foi um dos melhores da minha vida: tirei um puta peso das costas e, na sequência, fui pra santa rita do sapucaí pro glorioso juca (esse ano eu fui!! não perco mais nenhum).

e agora? vagabundagem. de férias do trabalho (oficialmente de férias, mas na verdade estou desempregado, já que não voltarei), de férias da faculdade. passarei os dias fazendo o que eu sei fazer de melhor: porra nenhuma. acordar meio-dia e passar o dia sem produzir absolutamente nada. tem coisa melhor? (sim, um monte. passar um mês no juca, por exemplo, seria bem melhor, já que eu não produziria nada, mas teria cerveja o dia inteiro).

procurarei outro emprego (se alguém tiver algum estágio pra jornalista avisa ae rsrs) e, enquanto isso, tardes jogando videogame, lendo qualquer coisa, vendo qualquer coisa… enfim, adicionando um monte de coisa idiota no meu cérebro, quando eu poderia muito bem me ocupar com coisas importantes (tipo o quê? sei lá!).

é isso. penso em algo mais inteligente pra postar outro dia. mas o importante é que retomamos nossas atividades normais.

ACABOU O TEMPO

NÃO TEM MAIS TEMPO

devido aos milhões de trabalhos pra fazer na segunda metade do semestre, a programação do blog (tem programação? ou eu só escrevo quando me dá vontade?) está suspensa.

começo de junho as coisas voltam ao normal.

ou não.

abraços.

nada

organizar posts em blogs é uma coisa bem legal. dividir por categoria não facilita os leitores (eu realmente duvido que alguém entre nos arquivos daqui), mas me ajuda a achar alguma coisa antiga pra eu lembrar como meu pensamento sobre o mundo muda constantemente.

de todas essas categorias que eu já criei (e devo criar mais), a que eu mais gosto é, disparado, a “nada”. isso mesmo. tem pouca coisa nela, gostaria de ter mais posts pra colocar por lá. mas “nada” é muito bom porque eu posso falar sobre absolutamente tudo que pode entrar nela, por mais contraditório que isso pareça.

absolutamente tudo mesmo. posso colocar alguma filosofia de boteco, ou algum pensamento aleatório que eu tive no ônibus, ou qualquer coisa que apareça na minha cabeça em um momento que eu esteja inspirado pra escrever - de preferência um momento em que eu não esteja fazendo nada. “nada”, aliás, é uma coisa muito presente em minha vida.

por exemplo, quando eu falo o que fiz de dezembro de 2006 até agosto de 2007, a resposta é simples: nada. exatamente. NADA. não estudei, não trabalhei nem porra nenhuma. eu ficava os dias inteiros em casa na frente do pc ou jogando videogame ou qualquer coisa inútil desse tipo.

em alguns momentos era triste. não podia sair muito de casa. primeiro porque, enquanto eu não fazia nada, todo mundo trabalhava ou estudava. segundo porque eu não tinha dinheiro, então até os finais de semana que eu ia fazer alguma coisa eram raros.

também era preocupante o fato de eu ir dormir alguns dias às 11 da manhã pra acordar 9 da noite. fazer isso alguns dias é até legal, mas durante semanas não, não é, não é nem um pouco saudável e nem um pouco normal, mas eu fiz. passava as madrugadas na frente do pc baixando filmes/músicas/jogos que normalmente eu não assistia/ouvia/jogava, pelo menos não logo de cara, enrolava um pouco pra usar os arquivos.

é por isso que eu digo: ficar sem fazer nada não é legal. a ideia parece muito boa. ficar sem responsabilidade nenhuma, sem horários, sem porra nenhuma. sem ninguém pra encher o saco. uau. excelente, não? não, não é. primeiro porque só eu não fazia nada, como já disse antes. segundo porque minha vida era chata. eu não tinha o que falar. “hoje eu acordei às 21h, fui pro pc, baixei cinco filmes, não vi nenhum, fui jantar às 6 da manhã, joguei um pouco de videogame e dormi às 11h”. uau. muito legal mesmo.

ficar um tempo sem fazer nada pode ser legal sim. um tempo eu digo uma ou duas semanas. mas nove meses - eu poderia ter um filho nesse período - é tempo demais. e foi o que eu fiz.

o engraçado é que depois disso tive as férias de dezembro/janeiro de 2007/2008 e depois mais nada. comecei a trabalhar em abril do ano passado (dia 11 completo um ano. iei.) e o máximo de tempo que tive pra relembrar os bons tempos de vagabundagem total foram os dez dias do final de 2008. e não foram a mesma coisa, principalmente porque eu lembrava que dentro de alguns dias voltaria a trabalhar… não acordava com aquele pensamento de “hoje minha vida não vai avançar nada e eu vou continuar sem nada planejado pro futuro” como tinha naquele tempo.

bom, pois é. esse é um típico post sobre nada. perfeito pra entrar na categoria “nada”.

rain down on me

três meses de meio de espera (contando do longínquo dia 5 de dezembro, quando comprei o ingresso), 120 reais, seis horas de pé, confusão para sair, fome, sede, cansaço. nada, NADA, NADA, absolutamente NADA foi capaz de ao menos arranhar o que realmente foi o show do radiohead.

resumindo em poucas palavras, o melhor da minha vida. e eu DUVIDO que um dia algum chegue perto.

thom yorke em são paulo
thom yorke, a fantástica iluminação e parte do telão do fundo do palco

(Continued)