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rain down on me

três meses de meio de espera (contando do longínquo dia 5 de dezembro, quando comprei o ingresso), 120 reais, seis horas de pé, confusão para sair, fome, sede, cansaço. nada, NADA, NADA, absolutamente NADA foi capaz de ao menos arranhar o que realmente foi o show do radiohead.

resumindo em poucas palavras, o melhor da minha vida. e eu DUVIDO que um dia algum chegue perto.

thom yorke em são paulo
thom yorke, a fantástica iluminação e parte do telão do fundo do palco

cheguei atrasado para a primeira apresentação - o retorno dos los hermanos após dois anos separados. vi pouco, queria ter visto mais. mas era perceptível o desânimo dos integrantes, que não devem mais se suportar e que estão construindo carreiras longe da banda. o pouco que vi foi bom. nada além disso.

acabou los hermanos e fui mais para frente para tentar acompanhar kraftwerk mais de perto. até consegui. não estava em um lugar perfeito, bem longe disso. não conseguia ver o palco direito. mas o objetivo do show não era ver os integrantes - que ficaram parados durante uma hora e meia - e sim acompanhar todo o resto. a música, misturada com os vídeos específicos de cada uma delas. uma doidera, mas uma ótima doidera. em certo momento, a banda foi substituída por robôs, que, juntos, tocaram “the robots”, com o seu refrão “WE ARE THE ROBOTS”. e eram os robôs mesmo.

e então veio a longa espera para a atração principal. e fui mais pra frente. achei um lugar razoável - dava pra ver o palco, mesmo com umas cabeças gigantes e minha falta de tamanho. tava ótimo. e foram cerca de quarenta minutos de preparação para que, pontualmente às 22h, thom yorke, ed o’brien, jonny greenwood, colin greenwood e phil selway entrassem no palco ao som de “15 step” (música que abre o in rainbows, disco mais recente da banda, e que abre praticamente todos os shows da turnê do álbum). e aí começou o que todos os cerca de 30 mil espectadores realmente queriam.

um show de luzes (refletores no topo do palco acendiam nos momentos mais “explosivos” das músicas - e fizeram o público ir ao delírio no momento mais agitado de “there there” -, além de uns tubos de luz no palco - que a única coisa que eu sei é que são ecologicamente corretas - que mudavam de cor seguindo a ordem do arco-íris) e imagens no telão, que, assim como as luzes do palco, mudavam constantemente a tonalidade e mostravam os integrantes de diversos ângulos diferentes, acompanhavam as músicas. os fãs não precisavam cantar, apenas apreciar. e fizeram isso muito bem.


a segunda música do show e a magnífica iluminação em there there

a participação do público foi, obviamente, mais intensa nos principais hits da banda. durante karma police e paranoid android, o radiohead simplesmente gravou a plateia cantando e, ao fim das músicas, tocou a gravação, causando a impressão de que realmente eram os fãs que continuavam cantando.

a brilhante paranoid android, aliás, protagonizou um dos momentos mais sublimes do show. com a repetição da gravação da plateia cantando os versos “rain down on me”, com o público acompanhando a gravação, thom yorke também passou a repetir a letra. e, ao fundo, nas luzes no palco, a impressão de que gotas de chuva caiam sobre o vocalista da banda.

na sequência, um público emocionado acompanhando fake plastic trees. há pouco fiquei sabendo que no set list original essa música não constava, e que foi colocada no lugar da (EXCELENTE) a wolf at the door. admito que preferia a última, mas é inegável que o momento em que público e banda se uniram foi maravilhoso. é foda, é tenso ter uma banda e ter que ficar tocando essas porras. mas caralho, é o que a galera sabe e é o que anima todo mundo. ficou bom. às vezes uma música fraca sendo acompanhada por 30 mil pessoas torna-se um momento melhor do que qualquer outra música foda. não reclamo da presença dela. só da ausência da outra.

voltando às luzes, durante a “everything in its right place” elas mostraram a letra da música. essa, aliás, parecia ser a última a ser tocada. era o segundo bis. e eles saíram. e parecia que tinha acado. e eis que os cinco voltam para um último momento com o público. começaram a tocar o primeiro hit - e provavelmente o mais conhecido no brasil. um momento de êxtase da galera cantando os versos nem um pouco animados de creep (i wish i was special/you’re so fucking special/but i’m a creep/i’m a weirdo/what the hell am i doing here/i don’t belong here”).

pois é. eles não gostam de creep. eles evitam tocar. mas não dá. quando você tem uma banda foda com mais de dezessete anos de carreira e vai para um país pela primeira vez, é obrigação tocar as mais conhecidas e antigas. ninguém sabe quando vai voltar, se é que vai existir uma outra oportunidade. foi bom pro público e pra banda. volta no comentário sobre a fake plastic trees. o momento em que 30 mil pessoas cantaram os versos da música foi superior ao que qualquer outra música faria. eles sabem e nós sabemos. mas faltou uma chuva. ia ser apropriado pro clima depressivo dela.

e aí você pode colocar de novo o preço alto pra uma organização terrível, pode colocar as seis horas de pé, o meu tênis que provavelmente vai pro lixo, todo o cansaço, toda a espera, pode colocar as músicas que eu queria que tivessem sido tocadas e que não foram, o fato de eu ter dormido menos de três horas pra vir trabalhar e também o fato de que eu definitivamente não estou com cabeça pra escrever sobre o deportivo táchira da venezuela, e sim sobre as duas horas e meia do show de ontem. e pode qualquer outra coisa que me faria reclamar normalmente. mas não, nada disso prejudicou. foi foda. foi inesquecível. foi perfeito. faria tudo de novo.

4 Comments

  1. eu também preferia wolf at the door em vez de fake plastic trees…
    e eu não vi essa da chuva no “repeteco” da paranoid android

    ficou bom o seu texto, bem melhor que o meu

    Tuesday, March 24, 2009 at 9:42 am | Permalink
  2. Vera wrote:

    Agora você sabe o que eu senti dia 17/01, no show do Elton John!!! É inesquecível!

    Tuesday, March 24, 2009 at 2:16 pm | Permalink
  3. Andre wrote:

    Já fui em muitos shows e posso dizer que a organização deles usualmente são horríveis: ingresso caro, acesso horrível, saída espremida e preço da comida/bebida exorbitantes. Exceção à regra vi no Planeta Terra do ano passado. Acho que os organizadores deveriam aprender um pouco com o pessoal de lá.

    Tuesday, March 24, 2009 at 6:47 pm | Permalink
  4. Cauê wrote:

    radiohead pra mim era no sistema bispo. Depois desse show já passei no fanclub e peguei minha carterinha de urbanheads.
    pqp foda pra caralios. wearerobots!

    Wednesday, March 25, 2009 at 2:32 pm | Permalink

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